Data: 23/05/2015 06:29:11 - Visualizações: 1742 Imprimir

CINEMA. Promessa de polêmica, "Love" só faz rir com cena de ejaculação em 3D

Um filme praticamente pornô, em 3D, com uma cena de ejaculação "frontal" (ou seja, na direção do público), que fez rir a plateia. Assim é "Love", do franco-argentino Gaspar Noé ("Irreversível"), que prometia polêmica e lotou ontem a sala Lumière, a maior de Cannes, na sessão da meia-noite.

Co-produzido pela brasileira RT Features, de Rodrigo Teixeira, "Love" é o que se pode chamar de pornô com história, com muitas cenas de sexo gratuitas de todo tipo. O filme já abre com um casal nu na cama, se masturbando. Electra masturba Murphy até ele ejacular pela primeira vez. Na segunda cena, o pênis está ali, em close, cara a cara com espectador, para que o efeito do 3D seja mais eficiente.

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Em outro momento, Noé repete um plano que já tinha feito em seu filme anterior, "Enter the Void": vemos uma penetração como se a câmera estivesse dentro da vagina. Numa terceira cena, o casal vai para a cama com um travesti, e Murphy tem uma crise de pânico com o pênis da convidada antes de finalmente topar.

Na apresentação, o diretor do festival, Thierry Frémaux, cometeu uma gafe em um ano de movimentação pró-mulheres do cinema. Ao apresentar no palco as duas atrizes do filme, Aomi Muyock e Klara Kristin, disse: "Vocês ainda não conhecem elas, mas dentro de duas horas vão conhecê-las até bem demais". Por que não fez a mesma piadinha com o ator, Karl Glusman, que aparece nu até mais tempo do que elas?

Melhor seria dizer que "Love" é um pornô quase sem história mesmo. Murphy é um jovem americano, estudante de cinema, que vive em Paris. No início do filme, ele está casado com Omi e recebe um telefonema dizendo que a ex, Electra, está desaparecida há dois meses. O filme volta então ao passado para descobrir como os dois se conheceram, e como o casal acabou se separando por conta do ciúme doentio dele.

Numa típica cena de filme pornô, o casal decide procurar uma segunda mulher para um ménage. Na cena seguinte, eles estão pegando as cartas na caixa do correio quando conhecem a vizinha, linda e loira. Ela mora não só no mesmo prédio, mas na janela ao lado (!!!). Os dois estão na janela tomando um ar, ela aparece e eles a convidam para entrar. Na cena seguinte, já estão na cama partindo para o ménage. Simples assim.

O ego de Noé é tão grande que ele dá um jeito de se citar duas vezes no filme: o filho de Murphy se chama Gaspar, e o primeiro namorado de Electra se chama Noé. O diretor se perde nas cenas de sexo gratuito e não consegue o mesmo efeito que conseguiu em "Enter the Void" e em seu filme mais conhecido, "Irreversível" --pelo menos temos de agradecer que, desta vez, não há uma cena de estupro de oito minutos sem cortes.

O pior é que um filme como esse, que chega a Cannes envolvido em "polêmica", não choca mais ninguém em 2015. A plateia --que incluía o ator Benicio del Toro e o diretor argentino Fernando Solanas e tinha muitos estudantes da região, de 18 a 21 anos, quem sabe até menos--, riu em algumas cenas, ficou até o final e aplaudiu bastante, como sempre acontece nas sessões de gala em que o diretor está presente. Pouquíssimos saíram ao longo da exibição --e quem saiu estava mais preocupado com o horário da sessão, que atrasou e foi terminar quase as 3h, atrapalhando a programação do dia seguinte.

Fonte: UOL/OLHARDIRETO.COM.BR Foto: Reprodução Olhar Direito

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