Data: 18/05/2017 09:16:58 - Visualizações: 977 Imprimir

POLÍTICA. Após reportagem citar gravação, deputados protocolam pedidos de impeachment de Temer

Denúncia revelou ontem um áudio em que o peemedebista supostamente pede para comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha

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Deputados federais pediram o impeachment do presidente da República, Michel Temer (PMDB), no plenário da Câmara na noite desta quarta-feira, 17, após a revelação de um áudio em que o peemedebista supostamente pede para comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A denúncia foi publicada no site do jornal "O Globo".

 

O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) protocolou um pedido de impeachment do presidente Michel Temer (PMDB). O pedido ainda precisa ser aceito pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Se ele for aceito, será criada uma comissão especial para analisar o assunto.

 

Após o pedido de impeachment de Molon, o deputado e terceiro secretário da Mesa, João Henrique Caldas (PSB-AL), apresentou uma denúncia contra Temer por crime de responsabilidade.

 

O deputado Afonso Florence (PT-BA) foi um dos parlamentares que gritaram pelo impeachment de Temer. Segundo ele, "se for confirmada a veracidade do conteúdo [da gravação], acabou o governo".

 

"Se isso é verdade, a gravação tem de ser verificada, mas isso incinera o governo, a reforma da Previdência. [Tem de ter] o impeachment imediatamente, fica insustentável. O processo tem de tramitar, mas é inexorável", afirmou.

 

Segundo o jornal, o dono da JBS, Joesley Batista, afirmou à PGR (Procuradoria-Geral da República) que o presidente Temer deu aval à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha e do operador Lúcio Funaro, ambos presos na Operação Lava Jato.

 

Quando o grupo de cerca de 20 parlamentares começou a gritar pelo afastamento de Temer, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), encerrou a sessão e se retirou do plenário. Questionado por jornalistas, ele limitou-se a dizer que "não há mais clima para trabalhar".

 

O deputado José Guimarães (PT-CE) disse que se já havia motivos para mover um impeachment contra Temer, agora a situação é "muito grave".

 

"Ou se faz isso de abrir o impeachment ou não se faz mais nada no país", declarou.

 

Após a repercussão da reportagem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), encerrou a sessão. "Não há mais clima para trabalhar", disse, sem responder aos jornalistas. Houve vários gritos de "fora, Temer" em plenário.

 

Senadores também repercutem denúncia

A denúncia também repercutiu no Senado. No plenário, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) informou que os parlamentares que fazem oposição ao peemedebista estão "começando a discutir a apresentação de impeachment imediatamente" do presidente Michel Temer. "É uma crise gravíssima na história do país", comentou, antes de ler, ofegante, a reportagem publicada pelo jornal "O Globo". O petista anunciou que a bancada iria se reunir para tratar dos termos do pedido.

 

"Nada me surpreende. Do que está acontecendo no Brasil, só falto ver chover pra cima, o resto tudo eu já vi. Agora estou achando bonito, hilário o comunicado do senador Lindbergh. Não seria o sujo falando do mal lavado", rebateu o senador Magno Malta (PR-ES), que integra a base do governo. "E delação agora vale? Porque para o PT delator nunca valeu nada. Agora o delator do Temer vale", completou, sendo interrompido pelo petista: "vale porque tem prova, tem gravação".

 

Após a manifestação de Lindbergh, o senador José Medeiros (PSD-MT) disse não ter visto "novidade alguma" no que havia acabado de acontecer "porque o PT até hoje, dos governos anteriores a Lula e Dilma, pediram impeachment até do presidente do Corinthians".

 

"Eu fiquei pasmo é com a sensação de alegria, como se estivessem contando ao Brasil que o Brasil ganhou a Copa do Mundo. É como se estivesse anunciando uma grande vitória porque saiu uma notícia na imprensa", complementou Medeiros.

 

Entenda a denúncia

De acordo com a publicação, as informações fazem parte de uma delação de Joesley que ainda não foi homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O depoimento do empresário foi dado à PGR em abril e, no dia 10 passado, o conteúdo foi comunicado ao ministro do Supremo Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte.

 

Segundo a reportagem de "O Globo", Joesley disse ter contado a Temer que estava pagando a Cunha e Funaro para ficarem calados. O presidente, segundo o empresário, responde: "Tem que manter isso, viu?".

 

Ainda de acordo com o relato de Joesley publicado por "O Globo", Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver "um assunto" da J&F, a holding que controla a JBS. Depois, Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil mandados pelo empresário.

 

Segundo o jornal, a conversa entre Joesley e Temer teria acontecido no dia 7 de março no Palácio do Planalto. O empresário teria gravado a conversa com um gravador escondido.

 

Joesley Batista afirmou à PGR, ainda de acordo com O Globo, que também gravou o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, lhe pedindo R$ 2 milhões. O dono da JBS entregou à PGR um áudio em que o tucano pede a quantia sob a justificativa de pagar despesas com sua defesa na Lava-Jato.

 

O momento da entrega do dinheiro a um primo de Aécio foi filmado pela Polícia Federal. A PF descobriu que a quantia foi depositada numa empresa do senador Zezé Perrella (PSDB-MG).

 

Temer confirma encontro, mas nega ter tratado de silêncio de Eduardo Cunha

O presidente Michel Temer (PMDB) afirmou, em nota divulgada pelo Palácio do Planalto na noite desta quarta-feira (17), que "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha" e negou ter participado ou autorizado "qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar".

 

O comunicado foi divulgado horas após a publicação de reportagem do jornal "O Globo" segundo a qual o dono da JBS, Joesley Batista, afirmou à PGR (Procuradoria-Geral da República) que Temer deu aval à compra do silêncio de Cunha e do operador Lúcio Funaro, ambos presos na Operação Lava Jato.

 

Na nota, Temer confirmou ter se encontrado com o empresário Joesley Batista no começo de março, no Palácio do Jaburu, sua residência oficial, em Brasília, mas disse que "não houve no diálogo nada que comprometesse" sua conduta.

Fonte: T1 Foto: Web

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