Data: 19/06/2017 08:25:18 - Visualizações: 423 Imprimir

ESTADO. Pacientes relatam cura de doenças por meio de cirurgias espirituais realizadas por médium tocantinense

Nas manhãs de sexta-feira uma rua estreita no distrito de Luzimangues, em Porto Nacional/TO, chama a atenção pela quantidade de carros estacionados. São pacientes que buscam, no Centro Espírita Batuíra, a cura para enfermidades das mais diversas. Adentrando o portão, dezenas de pessoas aguardam, cada uma com a sua senha, o momento de serem chamadas para a antessala onde estão de dois a três voluntários que as orientam a sentar numa das cinco cadeiras dispostas em fileira. Dali seguirão, um a um, para serem atendidos pelo médium Ademar Figueiredo e, em poucos instantes, sairão de lá “cirurgiados”, como ele próprio descreve. Da antessala é possível ouvir as orientações do médium a quem está recebendo o tratamento. Passados dois e três minutos, é a vez do próximo paciente entrar para ser atendido.

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Quando um dos voluntários da Casa se dirige aos presentes informando que a equipe de reportagem do Conexão Tocantins gostaria de ouvir depoimentos de pessoas que já haviam se tratado com Ademar Figueiredo, Manoel Bonfim Alves da Silva não hesita. Morador da cidade de Guaraí, ele conta que há cerca de três anos fez tratamento de um tumor na próstata e de diabetes. “Graças a Deus fiquei bom. Aqui encontrei a cura. Não tenho problema de maneira alguma. Trabalho normalmente, igual trabalhava antes [...] Estou muito feliz por aqui e se eu puder indicar outras pessoas, eu indico. A pessoa tem que ter fé”, conta, enquanto descreve em detalhes como se sentia, tanto em relação à próstata quanto à diabetes.

Manoel Bonfim informou à reportagem que retornou ao Centro para trazer o patrão, o filho dele e a nora, e para aproveitar para um “check-up”, como diz.  “Não adianta você estar aqui se não tiver fé. A mesma coisa o médium Figueiredo fala: ‘eu não curo ninguém, quem cura é Deus’”, diz Manoel. 

A busca pela cura também atraiu o motorista Luiz Carlos Coelho, do município de Dois Irmãos/TO, que chegou ao Centro para um tratamento de “desgaste” dos ombros. Ele afirma que há dois anos vinha sentido dores ao levantar o braço. “Doía e estralava. Fiz raio X, tomei remédio controlado”, conta, dizendo não ter obtido resultado. Em poucos minutos de um procedimento acompanhado pela reportagem com autorização do médium, Coelho saiu da sala garantindo estar sem dor. 

Ele foi ao centro acompanhado da irmã, Necy Maria Coelho Oliveira. Ela, que é professora da rede estadual de ensino, também em Dois Irmãos, relata já ter realizado, também com sucesso, tratamentos de hérnia e nas cordas vocais. “Já tem uns dois anos que conheço o Centro. Eu sou espírita. Vim por indicação das pessoas que já passaram por ele e que já foram curadas. Eu vim fazer o tratamento porque eu tinha uma hérnia, que fui curada, e pelas cordas vocais, que eu tinha um calo nas cordas vocais. Fiz a cirurgia na semana passada”. Indagada sobre como se sente: “Muito bem. Já posso dar aula”, afirmou. 

Nem todos os pacientes percorrem longa distância para se tratar. Eliane Pereira da Silva Reis mora no distrito de Luzimangues e foi ao centro porque estava com forte dor nas costas. “Essa noite eu não consegui dormir. Aí ele [Ademar Figueiredo] disse que eu estava com a coluna aberta, e fechou. Realmente melhorou. Não está 100% ainda não, mas passou [a dor]”. 

Mas o que leva as pessoas a buscarem um tratamento espiritual? E quais os mecanismos que as fazem realmente sentir o alívio de suas dores? São perguntas que, por hora, permanecerão sem respostas. Esta reportagem buscou ouvir o médium e seus pacientes para tentar relatar, sem juízo de valor, o tipo de trabalho que é realizado. 

Ao Conexão Tocantins, o médium Ademar Figueiredo, ou Dr. Ademar, como é chamado pelos voluntários da Casa, concedeu o que afirma ter sido sua “primeira entrevista oficial”.  Apesar de quase nula a publicização do seu trabalho, a cada manhã de sexta-feira, em média, 200 pessoas passam pelo Centro Espírita, o qual ele descreve como um hospital. Em todos os casos, vindos por indicação de outras pessoas que já fizeram algum tratamento.  No local, Dr. Ademar afirma que são 120 espíritos médicos que, de acordo com a enfermidade, o incorporam para realizar os procedimentos. “Um só coordena tudo [...]. É o Januário. Esse é o meu médico, o meu mentor, é com quem eu converso. É quem me instrui. Foi quem me deu o bisturi pela primeira vez, quem me deu a agulha, quem me deu a linha, quem me deu todos os instrumentos dele”. 

O desenvolvimento da mediunidade 

Dr Ademar explica como descobriu e desenvolveu sua mediunidade. “Com 40 anos eu comecei a adoecer, sistematicamente. Todo tipo de doença foi aparecendo em mim. Dores, querendo desmaiar, pressão alta, arritmia cardíaca violenta, e eu fui procurando a medicina convencional. Fiz 800 exames em dois anos e ninguém descobriu o que é que eu tinha. Aí eu fui a um centro [espírita] em Goiânia, o Centro Bezerra de Menezes. Foi a última opção que eu tinha. Os médicos não dariam conta mais. Os melhores médicos não deram conta de resolver o meu problema de saúde. Chegando lá, o médium me disse que eu era médium, que eu não tinha doença, que eu tinha que desenvolver minha mediunidade e trabalhar para a caridade”. 

No Centro Bezerra de Menezes, Dr Ademar Figueiredo começou a trabalhar como voluntário, ao mesmo tempo que recebia tratamento e desenvolvia sua mediunidade. “Aí uma entidade – entidade que a gente fala é um espírito – numa viagem para a Bahia, uma entidade desceu, que se chama Batuíra, se materializou e falou comigo se eu queria trabalhar. Eu precisava trabalhar na caridade de saúde. Eu falei que sim, eu queria trabalhar sim. Ele falou: ‘então eu vou te dar um jaleco e você vai ser médico’”, relata Figueiredo.

A partir daí, conta, teve a oportunidade de fazer o teste de sua capacidade quando um funcionário seu passou por uma crise asmática na pedreira em que trabalhava.  “Ele era asmático desde criança, usava aquela bomba de remédio, e teve uma crise muito forte. Ficou roxo e quis enfartar. Eu operei ele no chão e ele levantou em seguida. Esse foi o primeiro tratamento que eu fiz no Tocantins. Depois disso, eu emendei, continuei sem parar”, conta. Desde então, Figueiredo contabiliza mais de 80 mil pacientes. “Em suma, eu atendo todos os casos de doença existente no planeta. Qualquer tipo de doença tem me procurado nesses últimos 15 anos. Já atendi mais de 80 mil pacientes, então, todos os casos. câncer, lepra, Aids, bebida [...] Se você permanecer aqui numa sexta-feira, você vai ver que são 200 a 300 casos variados, totalmente diferentes um do outro. Atendo todos. Sem exceção de casos de doença”, diz. 

Voluntariado

É o próprio médium, a partir do seu trabalho formal como advogado, que garante os recursos necessários para manter aberto o Centro Espírita Batuíra. Todos os atendimentos ali realizados são gratuitos. “Aqui não se gasta um real, aqui não se gasta nada. A única coisa que você traz é a água, onde você recebe a medicação. E hoje eu estou andando”. O relato é de Sônia Maria, moradora da Capital, Palmas/TO. Espírita, Sônia evita o conflito com os familiares evangélicos, pedindo para não ser filmada ou fotografada, mas aceitou gravar, em áudio, entrevista, enquanto aguardava atendimento, com uma das pernas apoiadas numa cadeira.

“Eu tive uma queda, desloquei a patela e rompi os ligamentos. O médico disse que por 60 dias eu não ia por nem os pés no chão. Aí eu vim para cá. Já conheço o centro há muito tempo, conheço o médium, o aparelho que recebe o Doutor Batuíra, e sei do trabalho sério que eles fazem. Sei como ele é importante na vida das pessoas. [...] Hoje eu já retorno ao trabalho e estou andando normal. Ainda tenho um pouquinho de dor, mas a graça eu creio que já recebi”, disse.

O médium afirma que a caridade é plena. “Eu não faço ficha com nome, a minha caridade ela é plena. Ela é sem nada de custo, nem quero nada [...] Eu resolvo o problema, pronto. Você entra na fila, eu te dou um número e eu não quero agradecimento”, diz Figueiredo. Como ele próprio, o centro conta com outros voluntários que o auxiliam, a maioria, também médiuns, mas nenhum deles realiza cirurgias espirituais. 

Um desses voluntários é Victor Marciano, que procurou o centro em busca de tratamento e foi identificado pelo Dr. Ademar como um médium em desequilíbrio. “Eu sentia tontura, dor muscular. Minha tontura era 24 horas por dia. Dormia tonto e acordava tonto. Muita dor muscular, muito enjoo, muito desequilibrado [...] recebi o tratamento e hoje eu sou voluntário, porque como eu recebi o tratamento, eu fui agraciado, então nada mais justo eu retribuir como voluntário e continuar o tratamento”, relata Marciano. 

Como são feitas as cirurgias

Imagine um procedimento cirúrgico sem bisturis, agulhas, linhas, cortes ou sangue, apenas as mãos do médium passando pelo local da enfermidade. “Eu atendo sempre a cirurgia espiritual, nunca cortada nem com instrumento, porque não é permitido pela medicina convencional um médium cortar. Em outros centros, vários do País, muitos cortam, cortam com bisturi. Eu já presenciei, já ajudei, tem até fotos se quiser. Mas eu não faço isso porque eu não quero problema com a medicina local, nem problema policial, porque, na verdade, você não pode cortar sem ter o uso da medicina convencional, então não uso nenhum tipo de ferramenta”, afirma Figueiredo, que garante que, apesar do método nada ortodoxo, o procedimento  resulta em uma “cirurgia comum”. “Se tirar uma ressonância vai aparecer o corte interno. Isso já tem, nos anais da casa centenas de cirurgias desse jeito”, relata o médium.

Ao final da cirurgia, que leva de 30 segundos a 3 minutos, uma garrafa de água, que é levada de casa pelo próprio paciente, é "fluidificada" e será uma espécie de “medicação”. A água, seja em dose única, banho ou tomada pelo tempo que o médium orientar, é a única “receita” que sai do centro espírita para todos os pacientes.

Relação com a medicina tradicional

Por sua forma de atuar, sem uso de procedimentos invasivos ou medicamentos de qualquer espécie, Ademar Figueiredo diz que nunca teve qualquer problema com a classe médica.  “Me respeitam muito, em todas as áreas. Nunca tive [problema] porque, primeiro, eu respeito eles. Não receito nenhum tipo de medicamento para não ter nenhuma implicação com os farmacêuticos, com a  área de química. Eu não uso nenhum tipo de instrumento para não ter problema com o pessoal dos instrumentos cirúrgicos, os instrumentistas. Eu não faço cirurgia cortada, então não tenho problema com os médicos cirurgiões”, diz.

Figueiredo conta que a relação é de tal forma cordial que chega a receber pacientes indicados por médicos e que chegou a, por um período de dois meses, realizar atendimentos dentro do Hospital Geral de Palmas (HGP). “Não vou citar nomes, mas eu tenho aqui médicos que mandam papelzinho. O médico indica para cá, porque o médico em si sabe o que ele pode fazer. Ele tem o conhecimento clínico para saber que aquela doença, até onde ela vai, qual o remédio que pode... nós temos limitações hoje para determinadas doenças. Eles mandam para cá. Não vou citar nomes, mas são vários”, afirmou. 

Apesar de alguns profissionais considerarem válidos os tratamentos espirituais, estes não são reconhecidos pela medicina tradicional, visto a impossibilidade de comprovação científica.

Cirurgias a distância

O médium também realiza intervenções espirituais à distância, via telefone, como a reportagem chegou a presenciar por meio do seguinte diálogo:

Médium - Na hora que eu desligar o telefone você bebe a água, tá bom? 
Paciente - E em termos da cirurgia, do corte?
Médium - Não, você tá cirurgiada. Eu não posso mexer. Só vou tirar os pontos agora, tá certo?
Paciente - Ah, tá.

O médium então fecha os olhos e, após alguns segundos de silêncio profundo, está tudo concluído e ele despede-se "então tá, fica com Deus. Tchau".

Por cerca de um minuto, Ademar Figueiredo aguardou que a mulher, do outro lado da linha, pegasse um copo de água para proceder o que chama de tratamento. Com a confirmação dela de que já estava com a água, procedeu-se o diálogo acima. Este formato de atender as pessoas por telefone, de acordo com Ademar Figueiredo foi determinado pela própria entidade (ou espírito) que o orienta. 

Quando começou a tratar as pessoas,  relata,  percorreu boa parte dos municípios do Tocantins e de outros estados, como o Pará. Atendia no Luzimangues num dia da semana e tirava outro dia para fazer os atendimentos no interior. “Até  três anos atrás eu atendia Criciúma/SC, uma vez por mês, atendia Petrolina, Pernambuco, uma vez a cada 45 dias, e atendia aqui. A minha entidade me pediu que eu parasse esses atendimentos de locomoção longa”, afirma. O desgaste físico fez com que os atendimentos passassem a se dar apenas no Centro Espírita. “Ele pediu que eu parasse, atendesse exclusivamente aqui e durante os intervalos eu atendesse por telefone o País todo e fora do Brasil também, que me ligam e eu atendo por telefone”.

Tratamento em animais


O médium também realiza atendimento voltado à cura de doenças em animais. Enquanto a reportagem estava presente no Centro Espírita, foi chamada por um dos voluntários para acompanhar uma cirurgia que seria realizada em um cachorro. Maria Abadia mora em Palmas e levou o animal para tratar de um tumor que surgiu há cerca de um ano em uma das pernas do cachorro. “Começou um carocinho, foi crescendo até chegar ao tamanho que vocês viram. Procurei o veterinário, eles fizeram uma avaliação nele e disseram que faziam [uma cirurgia para retirada do tumor], mas tinha que aplicar anestesia geral. Como ele está com 13 anos de idade, é arriscado ele não sobreviver. Aí minha amiga me indicou aqui. É a primeira vez que estou vindo”, contou a dona do cachorro, que também aproveitaria a visita ao centro para passar pelo atendimento do médium. 

A única diferença entre o atendimento ofertado ao animal e aquele que realiza às pessoas foi que, no caso do cachorro, o atendimento se deu do lado de fora da casa. O médium acalmou o animal, tocou no caroço e em outros pontos do corpo do cachorro e informou à dona que o tumor cairia em alguns dias. “Ele está curado”, disse. 

Fonte: conexaoto Foto: Web

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