A política brasileira viveu tempos em que partidos fortes e ideologias claras serviam de norte para eleitores, políticos e lideranças. Nomes como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Leonel Brizola, Pedro Simon e Lula inspiravam projetos coletivos, fortalecendo a democracia. Hoje, assistimos a uma fragmentação partidária que enfraquece lideranças e favorece interesses particulares.
Nos tempos de MDB e, posteriormente, PMDB, a oposição ao regime militar reunia diferentes correntes ideológicas com um objetivo comum: restaurar as liberdades democráticas. No entanto, dissidências internas levaram à criação do PSDB, enfraquecendo a unidade partidária. Com o tempo, essa tendência se intensificou, levando à multiplicação de siglas e ao pragmatismo político, onde alianças são feitas não por ideologia, mas por conveniência.
Brizola personificava a fidelidade a ideais, defendendo a educação e o nacionalismo. Ulysses Guimarães, com seu discurso implacável, foi a voz da resistência democrática e da Constituinte de 1988. Tancredo Neves, habilidoso articulador, pacificou a transição política. Pedro Simon denunciava o fisiologismo, e Lula, oriundo do movimento sindical, trouxe os trabalhadores ao centro do debate nacional.
O Brasil de hoje, com dezenas de partidos, se tornou refém do centrão, onde interesses de grupos políticos prevalecem sobre projetos de país. Essa prática esvaziou o debate ideológico e enfraqueceu a representatividade. A política, que deveria ser um instrumento de transformação social, virou um jogo de interesses pessoais e negociações de curto prazo.
A democracia verdadeira não se resume a eleições, mas ao compromisso com valores e projetos que transcendem mandatos. O Brasil precisa resgatar lideranças autênticas, que representem ideias claras e objetivos coletivos, e não apenas conveniências momentâneas. Que possamos aprender com o passado e reconstruir um futuro político mais sólido, onde a democracia volte a ter um verdadeiro significado.
Giovani Moura Rodrigues, advogado.